| O Curso de MBA
Traduzido literalmente, o MBA (Master of Business Administration) significa simplesmente Mestrado em Administração de Empresas, mas essa tradução é imperfeita, pois carrega uma conotação de carreira acadêmica, como se fosse um degrau antes do Doutorado, restrito a pessoas formadas em Administração. Na verdade, o MBA não é uma preparação para uma carreira acadêmica em Administração de Empresas. Ele é um curso profissionalizante, de caráter eminentemente prático, que visa preparar o aluno para uma carreira gerencial, independentemente de sua área de formação universitária. Na verdade, apenas 30 a 40% dos alunos de MBA são formados em Administração de Empresas.
O curso exige dedicação integral. Durante 2 anos (na maioria das escolas), o aluno será exposto a uma imensa quantidade de informação, sendo permanentemente solicitado a participar de discussões, debates, trabalhos em grupo, simulações, estudos de caso, visitas técnicas, exercícios, provas e exames. A cada semestre, em média, o aluno tem 5 matérias, cada qual com seus livros-texto, apostilas, cadernos e cases com tarefas de casa.
A carga de trabalhos de casa, somada às aulas, ocupa o aluno de 12 a 15 horas por dia, restando-lhe pouco tempo para descanso, mesmo nos fins de semana. Nas escolas de maior renome, o MBA chega a ser uma verdadeira maratona, e algumas escolas até competem entre si como sendo “a que mais exige dos alunos”. Por exemplo, é sabido que o MBA da Universidade de Virginia (Darden) tem o primeiro semestre mais difícil dentre todos os cursos de MBA, tendo merecido o comentário de um aluno que consta do Business Week Guide: “ The workload is obscene .”
Exageros à parte, o curso de MBA é um período de grande enriquecimento pessoal. Independentemente da área de concentração que o aluno deseja cursar, existem matérias básicas que todos os alunos fazem, geralmente no primeiro semestre ou no primeiro ano, dependendo da escola. São as matérias básicas da administração, ou aquilo que todo administrador deveria saber: Contabilidade, Finanças, Marketing, Recursos Humanos, Comunicações, Planejamento Estratégico, Estatística, Microeconomia, Macroeconomia, Sistemas de Informação, Métodos Quantitativos para Tomada de Decisão, etc.
Depois de passar pelas matérias básicas, o aluno deve escolher as matérias eletivas de sua área de concentração, ou continuar com o curso generalista, aprofundando-se mais naquelas matérias básicas. Qualquer que seja a sua opção, o aluno será continuamente exposto a situações de Teamwork – trabalho em equipe – e Leadership , onde terá a oportunidade de desenvolver suas habilidades de liderança. O terceiro elemento desse tripé fundamental dos cursos de MBA é a Globalização , que também faz parte do dia-a-dia dos alunos.
No atual mundo globalizado de negócios, ter um MBA é um “must” para quem quer alcançar cargos gerenciais de alto nível em alguma empresa de renome internacional. Mesmo as grandes empresas brasileiras estão começando a seguir essa tendência, e algumas pioneiras estão patrocinando cursos de MBA no exterior para seus funcionários de alto potencial. Da mesma forma, empresas familiares estão introduzindo o MBA em seus planos de sucessão, como parte obrigatória da preparação dos herdeiros antes de assumirem o comando do negócio.
A dinâmica do mercado de trabalho, como sabemos, não permite acomodação. Da mesma forma que aconteceu no passado com os cursos de graduação, houve uma grande proliferação de cursos de MBA pelo mundo afora, o que levou à diferenciação desse diploma de acordo com a escola cursada. Nos Estados Unidos, onde esse fenômeno teve início há algumas décadas, já não basta ter um diploma de MBA. Para competir por bons empregos, o indivíduo tem que conseguir seu diploma num seleto grupo de 25 universidades e algumas empresas já estão exigindo que o MBA seja de uma “top ten”. É fácil prever que o mesmo venha a ocorrer no Brasil num curto espaço de tempo, e por essas razões, a demanda por cursos de MBA tem crescido vertiginosamente em nosso país.
VALE A PENA O INVESTIMENTO?
Esta pergunta é de fundamental importância, e ela deve ser analisada no mínimo sob duas óticas diferentes: a do aluno e a do patrocinador (sponsor).
Do ponto de vista do aluno , as razões apresentadas no item anterior, que dizem respeito à empregabilidade, por si só já seriam suficientes para justificar o investimento, sem mencionar os benefícios intangíveis advindos da experiência de vida, do acréscimo em maturidade, da ampliação de horizontes, do aumento de flexibilidade cultural, da troca de experiência com pessoas inteligentes e motivadas, do ambiente fértil para o surgimento de idéias inovadoras e da iniciação ao mundo de negócios globalizado que o curso representa. Apesar desses benefícios intangíveis, é lícito pensar-se em mensurar o retorno do investimento em termos estritamente financeiros, uma vez que o custo de um curso de MBA de 2 anos de duração é alto, de aproximadamente US$ 100,000.00 (custo total incluindo tuition e depesas gerais) . Afinal de contas, como diz o ditado, “ dinheiro não aceita desaforo ”.
Muitos livros foram escritos sobre essa questão, mas o melhor e mais completo chama-se “ The MBA Advantage – Why it pays to get an MBA ”. É um livro de 301 páginas escrito por Ronald N. Yeaple, PhD e professor de Marketing and Business Policy na Universidade de Rochester. Este livro foi inspirado por uma simples pergunta feita a ele por sua filha Susan:
– “Papai, estou pensando em fazer um MBA. O senhor acha que vale a pena?”
Diligentemente, e fiel ao seu espírito científico, o Prof. Yates desenvolveu toda uma metodologia de análise de custo/benefício, considerando não apenas as despesas diretas com o curso, mas também o custo de oportunidade, o salário que o aluno deixa de ganhar durante o MBA, o atraso de dois anos na carreira e as oportunidades perdidas nesse período, etc.
Em sua análise, ele utilizou as respostas de mais de 1500 ex-alunos a pesquisas feitas pela Business Week, comparando seus salários antes do MBA, imediatamente após o MBA, e 5 anos após o MBA. Após subtrair todos os custos envolvidos (inclusive a estimativa de quanto o aluno estaria ganhando caso não tivesse feito o MBA), chegou à conclusão que, em 8 escolas, o aluno atinge seu “break-even” em 4 anos, e em 12 escolas, em 5 anos.
Os retornos obtidos em cada escola são, é claro, diferentes, e com base nesses resultados ele elaborou um ranking, batizado de “MBA Advantage”, que expressa o retorno acumulado do investimento em 5 anos após a conclusão do curso de MBA. Neste ranking, relativo à classe que se formou em 1992, Harvard é a primeira colocada, com US$ 133,647; Chicago a segunda, com US$ 110,294; Stanford a terceira, com US$ 104,337, e MIT a quarta, com US$ 102,989. Outras 16 escolas têm retornos positivos nesse período, com valores inferiores a US$ 100,000. Ou seja, do ponto de vista estritamente financeiro, sob a ótica do aluno, um MBA numa boa escola vale realmente a pena.
É claro que Susan não esperou o pai terminar a pesquisa para tomar sua decisão, e foi fazer seu MBA assim mesmo. Quando o livro foi finalmente publicado, ela já havia terminado o curso, tinha se casado e conseguido um excelente emprego numa editora. Com muito bom humor, o prof. Yates termina seu livro devolvendo a pergunta à sua filha: - “E então, Susan, valeu a pena?” Ao que ela respondeu com grande entusiasmo: - “Óbvio que sim ! Ainda bem que não esperei todo esse tempo...”
Esta pergunta, porém, é mais difícil de responder sob a ótica do patrocinador , ou “sponsor”. O retorno trazido por um MBA à empresa que o patrocinou não é algo tangível, que possa ser mensurado a curto prazo ou traduzido em resultados concretos, atribuíveis diretamente ao curso realizado.
Evidentemente, a bagagem intelectual trazida por um MBA, a ampliação de seus horizontes culturais e de seu network profissional, o treinamento em teamwork e liderança, e a maturidade adquirida num ambiente de permanente crescimento, são benefícios que se revertem também para a empresa, que usufruirá não apenas das novas habilidades de seu funcionário, mas também da transmissão de conhecimentos deste para os demais.
Empresas dispostas a investir tanto dinheiro no desenvolvimento de seus funcionários devem acreditar firmemente que seus recursos humanos é que fazem a diferença, e que quanto melhores forem esses recursos humanos, maior será essa diferença. O retorno desse investimento, embora intangível do ponto de vista financeiro, irá refletir-se na capacidade da empresa de antecipar tendências, de adaptar-se a mudanças, de inovar, de modernizar-se, enfim, de competir nos mercados cada vez mais globalizados.
Algumas empresas brasileiras já estão se mobilizando nesse sentido, com programas de patrocínio de MBAs muito bem estabelecidos. Em comparação com outros países, entretanto, o número de empresas dispostas a fazer esse investimento, no Brasil, ainda é pequeno, mas tudo indica que deverá crescer muito nos próximos anos.
Uma preocupação comum a esses programas de patrocínio é o risco de perder os MBAs para o mercado. De fato, essa qualificação aumenta muito a empregabilidade do funcionário, que passa a ser assediado por muitas empresas após o curso. Cabe ao empregador criar condições para que esses funcionários desenvolvam suas carreiras de forma acelerada, permanecendo motivados e produtivos, e dessa forma garantindo o retorno do investimento.
QUAL MBA?
Um dos maiores problemas que enfrentamos ao decidir fazer um MBA é o da escolha da universidade. Hoje já existem mais de 1200 escolas americanas que oferecem esse diploma, além de 300 na Europa, mas a qualidade desses cursos é muito heterogênea, a ponto de justificar a existência de “Accreditation Agencies” – organismos especializados em avaliar a qualidade dos cursos de MBA, fornecendo-lhes (ou negando-lhes) o seu aval, uma espécie de ISO-9000 educacional. O mercado dos cursos de MBA é tão vasto que até mesmo essas Accreditation Agencies proliferaram, criando uma verdadeira sopa de letras indicando qual tipo de accreditation uma dada escola obteve. Essas agências competem entre si pela primazia de serem consideradas como a palavra definitiva sobre a qualidade das escolas, pois assim mais escolas procurarão seu aval – e pagarão altas somas pelo processo de avaliação a que serão submetidas.
A Accreditation Agency mais famosa e mais respeitada entre as escolas de MBA é a AACSB, American Assembly of Collegiate Schools of Business. Das 1200 escolas americanas que oferecem o MBA, apenas 300 têm o aval dessa entidade, o que significa, na prática, que 900 escolas não atendem aos padrões mínimos de qualidade exigidos pela AACSB para merecer seu aval. Conseqüentemente, o primeiro fator a ser considerado para escolher um curso de MBA é se a escola é ou não “ AACSB Accredited ”.
Mesmo assim, ainda resta um universo muito vasto de escolas credenciadas, o que torna a escolha muito difícil. Para auxiliar esse processo existem inúmeras fontes de informações disponíveis, como livros, revistas, sites da Internet, rankings, consultores especializados, etc. Entretanto, na prática, as pessoas costumam orientar-se apenas pelo “word of mouth”, considerando apenas aquela meia dúzia de escolas mais famosas que todo mundo conhece, e desprezando muitas opções excelentes por mero desconhecimento. Assim, a maioria dos candidatos acaba competindo pelas poucas vagas existentes nas escolas mais famosas, tornando o processo de admissão altamente seletivo e reduzindo drasticamente suas chances de aprovação.
Depois do “word of mouth”, a segunda fonte mais consultada para nortear essa escolha é o ranking da Business Week, seguido de perto pelo ranking da US News, duas revistas semanais que periodicamente pesquisam as escolas de business.
O ranking da Business Week é publicado a cada 2 anos, no mês de outubro, e o da US News anualmente, no mês de março. Existem vários outros rankings, mas estes dois são os mais populares. Ambos estão disponíveis na Internet, nos sites www.businessweek.com e www.usnews.com , respectivamente.
Um aviso sobre os rankings: eles devem ser encarados apenas como um dado a mais no processo de escolha, mas jamais devem ser interpretados como uma verdade absoluta, por várias razões. Em primeiro lugar, se compararmos os dois rankings constataremos diferenças muito grandes de classificação das escolas. A razão dessas diferenças reside na metodologia adotada para avaliar as escolas, que difere muito nos dois rankings. Na Business Week, um dos indicadores mais valorizados é a pesquisa de opinião feita com os alunos das próprias escolas, enquanto que na US News esse indicador tem um peso muito menor. Por outro lado, a US News atribui um peso maior para o salário médio dos formandos, o qual indicaria o grau de valorização que cada escola tem perante o mercado de trabalho.
Apesar dessas diferenças, dois fatos são relevantes na análise destes rankings:
De um modo geral, o grupo das 25 melhores é praticamente mesmo, qualquer que seja a fonte;
As diferenças de pontuação entre as escolas são muito pequenas. Por exemplo, a 23ª escola do ranking da US News obteve 90% dos pontos obtidos pela primeira colocada.
Do exposto, podemos concluir que a escolha não se deve basear estritamente na classificação obtida pela escola, e vários outros fatores devem ser considerados, tais como a área de concentração que o candidato busca, a localização geográfica da escola, o clima, o custo de vida na região, o preço das mensalidades, o tamanho da classe, o percentual de estudantes internacionais, o método de ensino adotado pela escola, etc.
Com relação à área de concentração desejada, também existem rankings específicos para cada especialidade considerada, nas mesmas publicações acima citadas. Aqui também deve-se analisar o ranking com cautela, mas é muito importante levar em conta a reputação de cada curso de MBA nas áreas que interessam ao candidato , em comparação com as outras escolas. Curiosamente, aqui aparecem algumas escolas não mencionadas no ranking global, pois elas são tão especializadas numa determinada área (em detrimento de outras) que sua pontuação total não as classifica dentre as 25 top schools. Por exemplo, as melhores escolas de Entrepreneurship e de International Business não fazem parte das top 25.
Além disso, é sabido que diferentes escolas admitem alunos com diferentes perfis, e é muito importante que o candidato tenha consciência de seus pontos fortes e de suas limitações, de forma a buscar admissão em escolas que valorizem o seu perfil. Esse processo de “casamento” entre o perfil da escola e o do aluno é conhecido como “matching”, e requer um profundo conhecimento das características de cada escola, além da análise detalhada dos atributos e qualificações de cada aluno.
Nos serviços oferecidos pela MBA Empresarial, normalmente cada aluno se inscreve em 10 escolas que atendam a seus objetivos, sendo aprovado, em média, em 3 escolas. A escolha final sobre onde fazer o curso é uma das decisões mais difíceis da vida do aluno, e para ser bem feita requer muita pesquisa, muita reflexão e muito auto-conhecimento. Só assim ele tirará o máximo proveito desses dois anos que mudarão seu futuro. |